Tradutor

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Como buscar a Constância na Quaresma?[1]


Meus irmãos, considerai como uma enorme alegria o estardes rodeados de provações de toda a ordem, tendo em conta que a prova a que é submetida a vossa fé produz a constância. Mas a constância tem de se exercitar até ao fim, de modo a serdes perfeitos e irrepreensíveis, sem falhar em nada. Se algum de vós tem falta de sabedoria, que a peça a Deus, que a todos dá generosamente e sem recriminações, e ser-lhe-á dada. Mas peça-a com fé e sem hesitar, porque aquele que hesita assemelha-se às ondas do mar sacudidas e agitadas pelo vento. Não pense, pois, tal homem que receberá qualquer coisa do Senhor, sendo de espírito indeciso e inconstante em tudo. [2]

A Quaresma é um tempo propício para renovarmos, com a ajuda da Palavra de Deus e dos Sacramentos, o nosso caminho pessoal e comunitário de fé. Trata-se de um percurso marcado pela oração e a partilha, pelo silêncio e o jejum, com a esperança de viver a alegria pascal. Neste tempo somos chamados a permanecer no essencial, com constância e com firmeza.

A Palavra de Deus fala-nos de provações. Que provações tenho atualmente na minha vida? Quais as situações que me podem fazer vacilar na minha fé? Tenho noção que cada uma dessas provações pode ser um desafio à constância, a solidificar a minha fé?
A Palavra fala-nos também da necessidade de exercitarmos a constância até ao fim – o que significa isso para mim? No meu dia-a-dia, consigo ser constante na oração, na minha relação com Deus? Consigo ser constante no sentido de saber qual o sonho de Deus para a minha vida e tentar vivê-lo? 
Nós somos falhos por natureza, e Deus sabe muito bem da nossa limitação, é por isso que devemos sempre estar buscando a Sua presença.

Filho, não te fies em teus afetos; o que agora existe, em breve se mudará em outro.
Enquanto viveres, estará sujeito, ainda que não queiras, a mudanças; ora alegre, ora triste; ora em paz, ora perturbado; agora fervoroso, mais tarde tíbio; hoje cuidadoso, amanhã indolente; uma vez sério, outra leviano.
Acima dessas eventualidades, está o homem sábio e douto nas coisas espirituais; não atende ao que sente em si; nem de que lado sopra o vento da instabilidade; mas dirige toda sua intenção ao devido e almejado fim. [3]

A imagem de que o homem que hesita é semelhante às ondas do mar sacudidas e agitadas pelo vento é muito forte. Quantas vezes não senti que a minha vida era dirigida pelas circunstancias que me levavam, em vez de ser eu a dirigir e levar a minha vida?

Preciso antes de tudo me conhecer – virtudes e limites – e só então, como um barco a vela, poderei utilizar desse vento que antes me agitava ao sabor das ondas, para me impulsionar em frente na direção do meu objetivo.

Coerência no que fazemos e pensamos é o que nos permite chegar mais perto do que queremos. Quando não sabemos realmente o que queremos alcançar não pode haver nenhuma consistência naquilo que fazemos para alcançá-lo porque simplesmente não têm uma direção clara e definida a seguir.
Para se obter consistência na sua vida você precisa ter muito claro o que você realmente quer realizar. Quando você conseguir definir uma meta final será muito mais fácil ficar motivado e obter os resultados desejados e você perto de seu objetivo.
Tudo é um processo. Devemos olhar fixamente para a meta final. Os progressos no sentido desses objetivos menores também devem ser valorizados, porque enquanto eles são alcançados são como uma injeção de motivação para continuar no seu caminho para o que você realmente quer. [4]

Nenhum destes desafios é fácil, antes pelo contrário… A verdade é que o tempo de Quaresma é também um tempo de humildade, de aprendermos a pedir ao Senhor que nos ensine a orar, que nos ensine a amar, que nos dê a Sua sabedoria, que nos dê a Sua fé, que nos ensine a sermos constantes  – acima de tudo é aprendermos a confiar plenamente n’Aquele que nos ama, n’Aquele que nos quer bem.

Neste tempo de Quaresma é este o desafio: olharmos com tranquilidade a nossa vida, sabermos escutar do Senhor o que Ele nos chama a viver, como Ele nos chama a amar, nos deixar guiar por Suas águas… Que saibamos aprender a ser fiéis a esse chamado, a esse sonho que Ele tem para a nossa vida - com firmeza, constância e serenidade.

Olhamos para Maria, que foi fiel ao Senhor em toda sua vida, para que seja nosso modelo de oração, paciência, constância e perseverança durante essa Quaresma e nos ajude a caminhar com Cristo no deserto e passar pela cruz da Paixão para chegarmos juntos a ressurreição da Páscoa.


[1] Texto adaptado de Neste tempo de Quaresma somos chamados a permanecer no essencial, com constância e com firmeza.
http://www.verbumdei.org/index.php?option=com_content&view=article&id=274:nestes-tempo-de-quaresma-somos-chamados-a-permanecer-no-essencial-com-constancial-e-com-firmeza-&catid=47:diarias&Itemid=125
[2] Tiago 1, 2-8
[3] Imitação de Cristo, Livro terceiro, capítulo XXXIII
[4] Adaptado de  http://site.suamente.com.br/a-arte-de-ser-constante/











Victor Fontoura Moura é estudante de Matemática na UFF, Membro Consagrado e formador Geral da Comunidade Ostensório Vivo.


Um comentário: