Meus irmãos, considerai como uma enorme
alegria o estardes rodeados de provações de toda a ordem, tendo em conta que a
prova a que é submetida a vossa fé produz a constância. Mas a constância tem de
se exercitar até ao fim, de modo a serdes perfeitos e irrepreensíveis, sem falhar
em nada. Se algum de vós tem falta de sabedoria, que a peça a Deus, que a todos
dá generosamente e sem recriminações, e ser-lhe-á dada. Mas peça-a com fé e sem
hesitar, porque aquele que hesita assemelha-se às ondas do mar sacudidas e
agitadas pelo vento. Não pense, pois, tal homem que receberá qualquer coisa do
Senhor, sendo de espírito indeciso e inconstante em tudo. [2]
A
Quaresma é um tempo propício para renovarmos, com a ajuda da Palavra de
Deus e dos Sacramentos, o nosso caminho pessoal e comunitário de fé. Trata-se
de um percurso marcado pela oração e a partilha, pelo silêncio e o jejum, com a
esperança de viver a alegria pascal. Neste tempo somos chamados a permanecer no
essencial, com constância e com firmeza.
A Palavra de
Deus fala-nos de provações. Que provações tenho atualmente na minha vida? Quais
as situações que me podem fazer vacilar na minha fé? Tenho noção que cada uma
dessas provações pode ser um desafio à constância, a solidificar a minha fé?
A Palavra
fala-nos também da necessidade de exercitarmos a constância até ao fim – o que
significa isso para mim? No meu dia-a-dia, consigo ser constante na oração, na
minha relação com Deus? Consigo ser constante no sentido de saber qual o sonho
de Deus para a minha vida e tentar vivê-lo?
Nós somos
falhos por natureza, e Deus sabe muito bem da nossa limitação, é por isso que
devemos sempre estar buscando a Sua presença.
Filho, não te fies em teus afetos; o que agora existe, em
breve se mudará em outro.
Enquanto viveres, estará sujeito, ainda que não queiras, a
mudanças; ora alegre, ora triste; ora em paz, ora perturbado; agora fervoroso,
mais tarde tíbio; hoje cuidadoso, amanhã indolente; uma vez sério, outra
leviano.
Acima dessas eventualidades, está o homem sábio e douto nas
coisas espirituais; não atende ao que sente em si; nem de que lado sopra o
vento da instabilidade; mas dirige toda sua intenção ao devido e almejado fim. [3]
A imagem de
que o homem que hesita é semelhante às ondas do mar sacudidas e agitadas pelo
vento é muito forte. Quantas vezes não senti que a minha vida era dirigida
pelas circunstancias que me levavam, em vez de ser eu a dirigir e levar a minha
vida?
Preciso
antes de tudo me conhecer – virtudes e limites – e só então, como um barco a
vela, poderei utilizar desse vento que antes me agitava ao sabor das ondas,
para me impulsionar em frente na direção do meu objetivo.
Coerência no que fazemos e pensamos é o que nos permite
chegar mais perto do que queremos. Quando não sabemos realmente o que queremos alcançar não
pode haver nenhuma consistência naquilo que fazemos para alcançá-lo porque
simplesmente não têm uma direção clara e definida a seguir.
Para se obter consistência na sua vida você precisa ter
muito claro o que você realmente quer realizar. Quando você conseguir definir
uma meta final será muito mais fácil ficar motivado e obter os resultados
desejados e você perto de seu objetivo.
Tudo é um processo. Devemos olhar fixamente para a meta
final. Os progressos no sentido desses objetivos menores também devem ser
valorizados, porque enquanto eles são alcançados são como uma injeção de
motivação para continuar no seu caminho para o que você realmente quer. [4]
Nenhum
destes desafios é fácil, antes pelo contrário… A verdade é que o tempo de
Quaresma é também um tempo de humildade, de aprendermos a pedir ao Senhor que
nos ensine a orar, que nos ensine a amar, que nos dê a Sua sabedoria, que nos
dê a Sua fé, que nos ensine a sermos constantes – acima de tudo é
aprendermos a confiar plenamente n’Aquele que nos ama, n’Aquele que nos quer
bem.
Neste
tempo de Quaresma é este o desafio: olharmos com tranquilidade a nossa vida,
sabermos escutar do Senhor o que Ele nos chama a viver, como Ele nos chama a
amar, nos deixar guiar por Suas águas… Que saibamos aprender a ser fiéis a esse
chamado, a esse sonho que Ele tem para a nossa vida - com firmeza, constância e
serenidade.
Olhamos
para Maria, que foi fiel ao Senhor em toda sua vida, para que seja nosso modelo
de oração, paciência, constância e perseverança durante essa Quaresma e nos
ajude a caminhar com Cristo no deserto e passar pela cruz da Paixão para
chegarmos juntos a ressurreição da Páscoa.
[1] Texto adaptado de Neste tempo de
Quaresma somos chamados a permanecer no essencial, com constância e com
firmeza.
http://www.verbumdei.org/index.php?option=com_content&view=article&id=274:nestes-tempo-de-quaresma-somos-chamados-a-permanecer-no-essencial-com-constancial-e-com-firmeza-&catid=47:diarias&Itemid=125
[2] Tiago 1, 2-8
[3] Imitação de Cristo, Livro terceiro,
capítulo XXXIII
[4] Adaptado de
http://site.suamente.com.br/a-arte-de-ser-constante/
Victor Fontoura Moura é estudante de
Matemática na UFF, Membro Consagrado e formador Geral da Comunidade Ostensório Vivo.


Muito rico o texto
ResponderExcluirDeus abençoe