Sim, mais uma
vez na luta para fazer com que mais um coração conhecesse Jesus. É claro que
você sabe que existem lugares no mundo onde todos os assuntos são tratados por
“doutos especialistas” em qualquer área e que, por serem “doutores” em tudo,
essas pessoas sempre nos dão o que pensar... ainda mais quando estão falando de
nós, pessoas!
O “lugar de
sabedoria” desta vez é uma barbearia. Sim! No universo masculino, ali e resolve
todos os problemas e se sabe de todos os assuntos...
Depois de me
sentar na cadeira pra cortar o cabelo, rezando e pedindo a Deus que me desse
uma Palavra que gerasse para mim a oportunidade de Anunciar o Evangelho,
entendi que o silêncio que Deus fazia era a oportunidade de escutá-Lo na boca
dos rapazes que estavam ali e que faziam planos animadíssimos para o fim de
semana e que, com um certo tom de vantagem, compartilhavam com o jovem barbeiro
e comigo: Carnaval da Liberdade!
Bem... o
assunto deles girava em torno de quanto se divertiriam no carnaval por conta
das meninas e da bebida, o que era muito incentivado pelo meu amigo barbeiro!
Entre uma idéia e outra, repetia-se, quase como que um mantra, que esse seria o
carnaval livre, carnaval da liberdade, de fazer de tudo o que quisessem, de
serem livres...
A esta altura
não me contive. Olhando pelo espelho, mirei o rapaz que estava atrás de mim e
perguntei: “por que só esse carnaval vai ser da liberdade? O que foi nos outros
diferente do deste ano?”
O garoto ficou
meio sem entender por alguns segundos, e depois me respondeu: “Pô! Sei lá...
tipo, antes... Hi! Sei não! Ah! Sempre foi meio igual, entende?” A isto
respondi: “Hum... Antes você disse que este carnaval vai ser diferente por que
vai ser livre... E agora você me diz que ele vai ser igual a todos os outros!
Sabe o que isso quer dizer? Que o que você chama de liberdade são as grades da
tua prisão, que você abraça e beija, mas que te condenam a estar sempre no
mesmo lugar!”E partindo disso falamos sobre como o nosso coração deseja ser
livre e não sabe como; de como só um felicidade infinita pode nos saciar... enfim,
chegamos a Jesus e ao seu amor que nos faz livres. Rezamos juntos e eu convidei
os três (barbeiro e os meninos) para um carnaval diferente, um carnaval que não
acaba na quarta-feira, mas que tem gosto de eternidade!
Sim, um
carnaval no seu sentido mais próprio. Ora, essa festa é nossa! Infelizmente
deixamos que nossa experiência de “festa da carne” fosse vendida como festa do
pecado. E não me refiro aqui apenas ao dado religioso. Quando falo de pecado,
falo no seu sentido original: errar o alvo, fracassar, morrer! Para muitas
pessoas, estes quatro dias são oportunidade de expressar e radicalizar a falta
de sentido que as atormenta ao longo de um ano inteiro, fazendo com realizem
verdadeiras loucuras para serem “livres” e para alcançarem a “felicidade”. Isso
é o que vemos no carnaval!
Quando digo
que esta festa é nossa, quero dizer que é a festa da humanidade redimida e
vivenciada a partir de Jesus, por isso ela é colocada antes da quaresma, como
um sinal e um lembrete de que nossa carne
é redimida pelo Filho de Deus que deu sua vida por nós, que ressuscitaremos na carne para participarmos da glória de
Deus, que esta vida presente na carne
é um peregrinação para nossa pátria definitiva. É à luz do evento da vitória
pascal de Cristo que entramos na quaresma. Sem isso, sem entender que nossa
vida tem por centro o mistério pascal, nada mais que façamos terá sentido! Tudo
será procura, desculpa dizer, “minha procura, por si só” (como canta Ana
Carolina) não é o que queremos achar. Queremos preencher
a nossa vida de realidade, de verdade, de alegria que não passa! É isso que a
festa do carnaval quer nos dizer: que a nossa vida e a nossa realidade humana
tem um desejo que esta vida não pode satisfazer, que o prazer não pode
satisfazer... tudo isso é meio, linguagem para que cheguemos ao verdadeiro fim:
a felicidade que não passa! Isso é liberdade!
O verdadeiro
carnaval da liberdade é a festa de todos os dias sermos capazes de vivermos
nossa vida com a dimensão de eternidade que ela tem, de sermos verdadeiramente
humanos, gente, pessoa por que é assim que fomos constituídos como filhos de
Deus. Liberdade não é fazer o que
queremos, mas sim agir em concordância com o que somos, pois só isso nos
realiza, nos preenche, nos faz cada vez melhores e torna nossa vida luz na vida
dos outros.
Pergunto a
você o que perguntei aos meninos da barbearia: o que esse carnaval vai ser
diferente dos outros?
Não se
esqueça, o que chamamos liberdade, pode ser, às vezes, a mais tirana prisão: não é o que fazemos e sentimos o que nos
faz feliz, mas a realização de quem nos somos. Antes de por a máscara e ser outra pessoa por
quatro dias, queira mergulhar na mais emocionante e maravilhosa aventura de
descobrir que você é, por que senão, entre uma máscara e outra, entre um ano e
outro, podemos esquecer quem somos e qual o nosso rosto verdadeiro.
“Achei que era
liberdade, mas na verdade, eram as grades da prisão” (Engenheiros do Havai)
Pedro Paulo Rodrigues Santos, Fundador da Comunidade
Ostensório Vivo, é seminarista, bacharel em Filosofia pela Universidade
Católica de Petrópolis e está cursando Teologia no Seminário Diocesano Nossa
Senhora do Amor Divino.











