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quinta-feira, 8 de março de 2012

PASSOS PARA VIVER BEM A QUARESMA


Estamos iniciando mais uma semana deste maravilhoso tempo que a Igreja nos propõe: a quaresma. Esse é um momento precioso para a nossa quaresma, pois estamos já a algumas semanas nos esforçando na fidelidade aos exercícios quaresmais e, ao mesmo tempo, estamos iniciando uma nova semana, então é um bom momento para pararmos e revermos o caminho trilhado até aqui.
         Acredito que sem essa parada com Deus, para esse tempo de revisão dos passos dados, nós corremos o risco de chegarmos ao final da quaresma com um amargo gosto de frustração por não termos cumprido o propósito que fizemos na quarta-feira de cinzas, ou, talvez, já até tenhamos fraquejado nestas semanas que já se foram e estejamos nos sentindo, já, desmotivados ou cansados....
         A maioria das nossas quedas neste tempo litúrgico e a causa de perdemos tantas graças que Deus reserva para nós neste tempo tem origem no fato de que não entendemos bem a quaresma, achamos que ela é um fim em si; esquecemos que ela é um tempo de preparação em vista da Páscoa, é um caminho que nós fazemos com Cristo em direção a Jerusalém para com Ele e n’Ele celebrarmos nossa Páscoa, que é Ele mesmo se dando por nós na Cruz e Ressuscitando para permanecer conosco.
         Então, entendendo que este tempo é um caminho, vamos juntos ver alguns passos que podem nos ajudar a trilharmos esta via nova (Cf. Is 43, 18ss) que Deus abre no nosso ano para nos ajudar a ser mais d’Ele no amor.
         O Primeiro passo é entender que a Igreja já nos dá os propósitos para bem vivermos este tempo, que são: reconciliação, oração, jejum, penitência, esmola, conversão. Os nossos propósitos devem ser um desdobramento desta experiência que a Igreja nos indica. O coração da nossa atividade espiritual neste tempo tem que ser viver uma oração profunda, um jejum que nos liberte e a esmola que nos abre ao próximo. Este caminho se propõe a nos ajudar a nos relacionarmos de modo correto com Deus (oração), conosco mesmo (jejum) e com o próximo (esmola). Sem isso, corremos o risco de sermos apenas pessoas que se impõe um peso durante um tempo determinado e que tem uma força de vontade suficiente para o levar a cabo, mas isso não gera conversão. No interior da Comunidade estamos partilhando uma mesma direção que nos diz:

Deus nos livre de termos na Comunidade muitos “heróis na vontade”, que por sua própria capacidade ficam um longo tempo sem consumir ou fazer o que gostam, e chamam isso de mortificação! Desses, Deus nos defenda, pois mortificação verdadeira é aquilo que o Espírito me dá viver ao me levar até o cimo do Calvário no qual devo imolar o Velho em mim, devo matar aquilo que é causa de pecado, devo imolar o meu Isaac! Mortificação é morrer para tudo o que me afasta de Deus e de sua Vontade, é ser pregado por vontade própria na Cruz com Jesus para deixar ali, cravado, o Homem Velho com seus hábitos e renascer para viver a Vida nova do Ressuscitado. Quaresma não é tempo de mostrarmos como podemos fazer muitas coisas, é tempo de conversão e conversão exige a morte do velho em nós. Sim, é preciso tomar a decisão de romper de verdade com o pecado que agita e domina nossa carne[1].

         Daí, nasce o segundo passo: a mortificação. Os nossos propósitos são geralmente visando a mortificação, mas eles realmente nos mortificam?
         Sabemos que a vida espiritual tem dois pilares: a Oração e a mortificação. Santa Teresa ensina que a oração que mais santifica é a oração de união com Deus. No caso da mortificação, ela é por natureza essa oração de união com Deus corporal, pois que por ela nos unimos a Cristo na Cruz, completando na nossa carne o que falta na Paixão do Filho de Deus, sofrendo como seu corpo, que somos pelo batismo.
         Onde não há mortificação e penitência não há santidade e não há virtudes, por isso a mortificação é muito recomendada no nosso caminho de conversão constante e de santificação. Mas mortificar-se não é cultivar dor por dor. Sim, mortificar significa morrer, morrer para o pecado e para a concupiscência, experimentando já aí a alegria da vitória de Cristo Ressuscitado que nos associa a si.       
A mortificação é uma luta que travamos contra as nossas más tendências, é uma luta para fazer o que Deus quer que eu faça. Ela me torna mais dócil a me deixar conduzir pelo Espírito, por isso é tão difícil fazer a mortificação. É mais difícil que sofrido fazer mortificação. O que importa é o amor e a fidelidade, não o tamanho da mortificação.  Existem dois tipos de mortificação:
a) Mortificação ativa: são aquelas que eu escolho, por amor a Deus; elas podem ser: corporais (jejum, acordar mais cedo pra rezar, vigílias, redução de alimentos,...) e espirituais (fazer algo para vencer um defeito, por exemplo, falar bem de quem eu costumo falar mal);
b) Mortificação passiva: são aquelas que Deus escolhe pra mim (chuva quando eu esperava um dia de Sol, perder o ônibus, doença, morte de alguém, um patrão ou colega chato) e que eu abraço por amor a Ele sem reclamar e sem perder a paz.
         O terceiro passo é tomar a consciência que não é a nossa boa vontade e nossa mortificação que nos converte, mas sim a graça de Deus; tomar a consciência de que não podemos descartar a graça de Deus. Portanto, neste tempo é bom voltarmos muitas vezes a Confissão Sacramental e a direção espiritual. Além disso, é um tempo oportuno para que revisemos o nosso plano de oração pessoal diário: rezar e estar na presença de Deus é uma necessidade vital para nós. É na oração que Deus gera em nós, pelo Espírito, as atitudes e os sentimentos de Cristo.
         Junto a oração pessoal, deve ganhar espaço em nossa vida quaresmal a Palavra de Deus, pela Lectio Divina, e a Santíssima Eucaristia, nosso céu. Sim, na quaresma, é uma fonte de graças ganharmos tempo aos pés de Jesus Sacramentado em Adoração tranqüila e silenciosa, permitindo que Ele vá desenhando em nós suas marcas de amor e de verdade. Quem sabe, não podemos também aumentar a nossa freqüência de participação da santa missa? Lembremos que ela é a fonte e o ápice de toda a vida cristã, onde o Doador se Dom para nós...
         Chegamos, então, a um momento decisivo de nossa quaresma. Já estamos bem próximos da páscoa. É preciso parar, estar com Deus na sinceridade de nosso coração, para tomarmos fôlego em nossa caminhada, uma vez que não nos importa terminar mais uma quaresma e sim nos convertemos, nos prepararmos para com Cristo morremos na cruz para o pecado e o mundo a fim de ressuscitarmos com Ele para a vida nova dos filhos de Deus.

         Que a Virgem Maria nos conduza neste caminho quaresmal, Ela que é o Monte e a Educadora das almas.


[1] Mensagem interna para a quaresma de 2012 da Comunidade Ostensório  Vivo.













Pedro Paulo Rodrigues é Seminarista, membro consagrado e fundador da Comunidade Ostensório Vivo.

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